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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Filhos do Eden: Herdeiros de Atlântida

Este é o segundo livro do escritor Eduardo Spohr e o primeiro que leio. Trata-se de um livro que se passa naquele que é chamado tanto pelo autor quanto pelos fãs como Sphorverso. Confesso que esta foi uma leitura que comecei temeroso. 

Quem me conhece sabe que não sou muito nada místico nem religioso. Respeito quem o é, mas não guardo em mim muito daquilo que define um homem de fé ou um homem crédulo. Uma vez que a história dos livros deste autor estão intimamente ligadas com fé e anjos fiquei bastante resiliente com a história.Tenho, porém certa admiração pelo autor pois acompanho a "carreira" dele já a alguns anos pelo nerdcast e mesmo pelo blog pessoal dele e, de certa forma, me considero amigo pessoal do rapaz sem nunca ter conversado com ele mais do que 5 minutos na feira do livro do ano passado. E isto, amigo leitor, é o motivo da minha resistência na leitura dos livros. Vai que eu não gosto...

Por sorte, me enganei. Herdeiros de Atlântida é um bom livro. Não um excelente livro entretanto. A história é de um anjo (Kaira) que desapareceu em uma missão junto de seu guarda-costas e depois de dois anos os poderes que podem, leia-se o arcanjo Gabriel,  resolveram que está na hora de descobrir para onde eles foram. Dito isto a história começa a se desfraldar rapidamente. O ritmo é realmente intenso, diria, prendendo o leitor a história e fazendo aquilo a que se propunha o livro, entretenimento.

Capa do Livro, fonte Verus Editora
Os personagens convencem, digo, a maioria deles. Denyel, o segundo protagonista da história não me cativou como os demais mas talvez seja uma falta de identificação com ele. Mesmo ele tendo muitas falhas, nenhuma delas se mostrou a mim como uma falha de caráter ficando assim um personagem, na minha opinião, raso. Os demais personagens entretanto são mais cativantes e mesmo o inimigo pessoal de Kaira é bem construído.

O livro em questão foi feito para fazer parte de um grupo de livros, trilogia pelo que o autor fala. E por isto tem histórias paralelas que não se resolvem satisfatoriamente. Veremos como a história prossegue nos próximos capítulos, literalmente!

Quanto ao livro, mantendo o padrão editorial brasileiro o livro não inova mas também não peca. Uma capa que na minha opinião é bonita e segue, de certa forma, o padrão do primeiro livro autor. Como tenho a primeira edição acabei encontrando alguns erros gráficos ou de grafia, palavras que faltam letras ou mesmo grafias erradas para algumas outras. Nada que comprometa e provavelmente que serão corrigidas em edições posteriores.

Finalizando. O livro vale a leitura, não acredito que irá mudar a vida de alguém mas com certeza vai fazer você perder um bom tempo (no melhor sentido de "perder tempo")

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Camelot 3000

Dando continuidade a minha "sede" por histórias de capa e espada eis minha "resenha" sobre Camelot 3000.

Para contextualização, nos idos da década de 80 os quadrinhos nos EUA estavam em baixa. Tentando se reinventar e não tendo mais nada para publicar (diferente de heróis, quero dizer) a DC comics deu sinal verde para a produção de Camelot 3000 em um sistema de venda direta através de comic shops. Isto é, os consumidores iam diretamente aos revendedores e encomendavam em um sistema parecido com pré-venda começando assim o sistema que hoje em dia é a regra por lá.

Eu tive contato com esta história, originalmente quero dizer, quando ela foi publicada no Brasil na metade da dita década. Li na casa de um parente numa semana de férias que tirei por lá e nunca esqueci da história. Anos depois tentei encontrar todos os volumes dela (em formatinho mesmo) mas o negócio era difícil de achar em bom estado. Anos depois soube que ela havia sido lançada em uma mini série em quatro edições mas isto já não interessava mais pois também havia encontrado a nova edição que a Panini havia lançado. Em capa dura e papel de qualidade (além dos obrigatórios extras) pude finalmente ler a tão aclamada série.

Uma bela releitura da história clássica de Arthur e muito diferente das minhas ultimas leituras esta história mostra um rei mais mistico e uma magia mais real e, como o título já evoca, tecnologia. A história, sem entrar em detalhes desnecessários, gira em torno da necessidade do rei Arthur voltar a defender a Inglaterra do perigo iminente. Tirando o fato de termos alienígenas e não saxões ela segue a história do herói muito bem. 

Traições, dramas (inclusive um problema com homossexualidade vindo direto das paginas dos quadrinhos da década de 80) e reviravoltas em uma história que me prendeu bastante aos quadrinhos. Conclamo os confrades a deixarem de lado quaisquer preconceitos com quadrinhos que possam ter e tentem ler este. É interessante ressaltar o relacionamento entre os cavaleiros e como eles voltam a cena histórica. É um bom "tempo perdido" e uma leitura muito recomendada.

Sobre a edição. Capa dura, papel de qualidade e impressão bem feita. Tem ainda um documentário sobre a construção da história.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Excalibur

Criando um pouco de vergonha na cara vamos terminar agora a minha opinião sobre o último livro das crônicas arturianas de Bernard Corwell.

Caso você não lembre dos outros livros (ok, pelo tempo que eu demorei para escrever esta resenha sobre um livro que eu terminei de ler em janeiro até eu não lembro mais deles) é só clicar no marcador Bernard Cornewell.

Sobre o livro... A história continua seu rumo e o autor tenta fechar a maior parte das histórias que ficaram em aberto. Confesso que o início do livro, até mais ou menos a metade compensam por toda a lenga-lenga do segundo. A partir daí é ladeira a baixo.

Tudo bem, o autor tem que terminar as histórias que começa mas daí a deixar um sentimento de "britânia" vazia também é complicado. Ele dá uma melhorada nos últimos capítulos, pouco antes da partida de Arthur. Não vou considerar a partida dele um spoiler pois é um fato conhecido que ele é ferido por Mordred em um embate mortal e parte para Avalon. E cá entre nós, isto é o final. O que realmente importa em histórias como esta é o como se chega lá. 

De uma maneira geral, todos os personagens tem um final, alguns mais dignos do que outros. É interessante notar como o autor amarrou coisas que passariam despercebidas na leitura do primeiro volume. Inclusive a explicação do porque Derfel é maneta é muito boa. Como romance de fechamento poderia dar uma nota 7. Sendo o primeiro livro um 9 e o segundo um 8 (apenas a título de comparação). Ficaram ao final do livro muitos elementos em aberto ainda, talvez tenha sido intenção do autor, talvez não, mas acho que um epilogo antes do capítulo final iria ser legal. 

Quanto a mídia do livro, mantém a qualidade dos anteriores.

Enquanto trilogia. Vale muito a pena a leitura de todos.Os combates, as histórias entre os personagens, tudo esmiuçado e bem detalhado. Com certeza irei atrás de outros títulos do autor. 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Inimigo de Deus

Surpreendentemente conseguindo manter uma certa regularidade nos posts do blog vamos ao segundo volume das crônicas arturianas, O Inimigo de Deus.

Depois de um final espetacular no ultimo livro a história continua com Artur ap Uther buscando a paz na Bretanha. Desta vez, tentando eliminar de vez a presença dos saxões no leste. Derfel, por sua vez, acaba conseguindo dar o troco ao pulha do Lancelot. Cá entre nós eu “garrei” nojo do Lancelot e comemorei cada vez que ele era derrotado de uma forma ou de outra. Fica uma menção honrosa ao Cornwell por transformar Lancelot no escroto da sua história. 

No fluxo do livro ele perde um pouco do ritmo no meio. Justamente quando Artur consegue a tão procurada paz. Paz é realmente um saco, ao menos nas histórias quero dizer. A história só ganha ritmo de novo na metade do livro quando um certo conhecido apronta as suas... DE NOVO!

Parafraseando o Merlin deste livro “Se quiser viver para sempre, vire inimigo de Artur”. O cabra que não aprende! É traído, perdoa. Traído de novo pela mesma pessoa, perdoa de novo! Que é isto, um metro de aço no estômago do vivente resolve todo o problema rapaz!

Fora isto, o livro trata muito de intolerância religiosa e, em diversas situações, conseguiu me deixar muito bravo com certos personagens que já na sua introdução mostravam ser escrotos até o talo. Varias revelações, muitos poucos personagens novos e muitas mudanças no status quo. Não empolgou tanto quanto o primeiro, mas, sendo o capítulo do meio era esperado que não fosse tão empolgante. Como falei, a paz em uma história é uma merda. Há também a continuação da história da busca dos artefatos da Bretanha, o que geram situações muito interessantes.

O livro tem, como o anterior uma boa edição e, destaco apenas um item que ficou claro um erro “Artuyr”. Um detalhe interessante na capa, Deus está em minúsculos (ou ao menos aparenta estar). Busquei uma boa imagem da capa no site da editora para poder colocar aqui e não achei. Entretanto encontrei a capa da edição estrangeira. Ponto para a Record. A capa da edição brasileira é muito boa.
Capa Inglesa a esquerda, capa brasileira a direita

Leitura de boa qualidade e recomendadissima! Para quem quiser ver a resenha do livro anterior. Já comecei a leitura do ultimo volume, aguardem um novo post do assunto em breve...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Harry Potter e as Relíquias da Morte

Todos gostam de ler alguma coisa "simples" de tempos em tempos. O meu mal é Harry Potter.

Li o primeiro por insistência do povo do Mundo da Leitura a uns 10 anos atrás. Pelo nome, pela capa, pelo tema, realmente achava que não iria gostar do livro. Sorte que contendo a minha resistência inicial li o dito cujo. Literatura rápida, meio simplista até. Mas muito gostosa entretanto.
Pronto, a senhora. Rowling havia me enfeitiçado. De lá para cá li todos os livros do "Oleiro maldito" e depois da ultima leitura que fiz, não tendo mais nada para ler  na casa de meus pais, resolvi reler o ultimo volume da série. Ter visto o ultimo filme no cinema há pouco mais de um mês ajudou na escolha também.

O livro em si é inferior aos meus dois prediletos da série (Prisioneiro de Azkaban e Príncipe Mestiço). Demora muito para engrenar e quando engrena parece resolver muitos problemas na base do Deus Ex Machina (não vou entrar em detalhes para não prejudicar um possível futuro leitor). Porém muitas soluções parecem aparecer de uma hora para outra e de forma meio, como direi, frustrante.

Tirando isso, é uma finalização decente para a história. Personagens não são poupados e a morte corre solta ali. Para um livro dito, infantil, é bem sanguinolento. As "cenas" de batalha em Hogwarts são bem excitantes assim como o início do livro com a fuga de Harry e a morte de uma velha amiga.

A edição segue o padrão da Rocco. Nada de excepcional . Entretanto desta vez o título não descasca na mão de quem lê.

Fica uma boa recomendação de leitura para quem não leu ainda. Talvez daqui a uns dez anos eu volte a le-lo novamente.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O Rei do Inverno

Este é um daqueles livros que eu havia colocado na minha pilha e estava com medo de começar a ler. Não que eu achasse que ele iria ser ruim mas porque ele é um dos tipos de livro que eu adoro "capa e espada". Na prática ele é definido como "Romance Histórico" porém eu parto do princípio, tem cavaleiros/guerreiros e paredes de escudos então é capa e espada. Dito isto...

Que livro!

Comecei a leitura meio como quem não dá nada, fim de noite um pouco de sono depois de um dia de serviço. Em uma semana li pouco mais que 150 páginas. A virada foi no "recesso natalino" quando fiquei um tanto quanto ocioso. Como diria o Galvão, "ai meu amigo" o negócio foi rápido. Em dois dias terminei o desgranido. Cheguei a sonhar com as cenas de batalha, nada muito preciso só "feelings" da parede de escudos e gritos.

Capa do Livro.
fonte: Editora Record
A história é contada em primeira pessoa por Derfel Cardarn, um saxão criado entre os ingleses e que se torna um lorde destes últimos. A história em si é a de Derfel porém ele é quase um forest gump medieval estando presente em quase todos os eventos da chegada ao poder de Artur. Bem ao menos, até agora foi assim as chamadas "Crônicas de Artur" são três livros.

Entre Merlin, Camelot (Caern Cadarn) e Excalibur a leitura corre rápido e as descrições são na medida do necessário. Deixando um pouco para a imaginação mas ao mesmo tempo não deixando o leitor perdido em fatos ou locais desconhecidos. Quando o livro terminou eu já estava enlouquecido. Tenho certeza de que se o segundo volume estivesse em minhas mãos eu já teria lido ele todo também!

A edição é muito bonita, com um tom prateado na capa e um relevo nas letras. Nenhum erro que eu tenha percebido em tradução ou diagramação. Talvez numa segunda leitura eu perceba isto, mas cá entre nós, não quero procurar. A obra é boa demais para ser tão "cri-cri".

Definitivamente vale uma recomendação e estrelinha na testa. Fico pensando porque não adaptaram este livro para uma série ou filme até agora!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

The Empire Strikes Back - The Book


Depois que li o ultimo livro do guia (ultimo por leitura, não por ultimo da sério) não resisti e dei continuidade a literatura "guerranasestrelianas" que eu havia começado com o primeiro livro.

Capa do livro, fonte wikipedia
Comprei ele por impulso na ultima feira do livro aqui em POA em uma banca só de livros importados. Não vou perder tempo falando sobre a história ela é igual ao filme. Se você não viu o filme... bem, então vai embora. Eu VOU falar um baita spoiler.

O Livro difere do filme apenas que algumas cenas são ampliadas e pelo fato do Yoda ser azul. As cenas ampliadas, creio eu, são cenas que deviam existir no roteiro original. Justifico isto pelo fato de uma boa parte delas ser "ampliada" apenas com os sentimentos e pensamentos do protagonista. O duelo de Vader e Luke no final é basicamente isto. Mostra a super confiança de Luke no início e vai mostrando ele entrando em desespero. Justificando muito o pulo dele no fim do duelo.

A edição que lí é uma daquelas edições "capa dura" do círculo do livro, com uma sobrecapa com um dos posteres clássicos do filme. Excelente encadernação. Quisera que os livros brasileiros ainda fossem editados assim. Fica como ponto negativo a fonte que por vezes fica borrada.

Fico agora procurando o ultimo livro da trilogia clássica e, ao mesmo tempo, guardo uma grana para comprar os livros da série Force Unleashed!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O Restaurante no Fim do Universo

Reli mais uma vez o livro apenas para poder "resenha-lo" aqui no blog.

Novamente Douglas Adams nos presenteia com outra maluquice! E quando digo maluquice digo no bom sentido, afinal, um livro que leva os personagens de um lado para o outro simplesmente em explosões de uma hora para outra TEM que ser louco. O bom de tudo é que a acidez do primeiro retorna, multiplicada por um número MUITO, MUITO GRANDE. Quarenta e dois, digamos.

Desta vez os "nossos" heróis vão tentar descobrir afinal de contas do que Zaphod Beeblebrox estava atrás e porque ele deu um "curto circuito" no próprio cérebro antes de virar presidente da galáxia. Dai por diante visitamos a sede do Guia do Mochileiro das Galáxias e visitamos o tal restaurante que, se você ainda não entendeu, se encontra no momento final do universo. Local este que gera um dos maiores problemas dos viajantes temporais, o tempo verbal correto para descrever os fatos.

Conversas com vacas-suicidas-falantes, chegada de profetas, shows de rock interplanetários e a descoberta da verdadeira origem da humanidade pontuam fatos cada vez mais interessantes na história do sr. Adams. Devo dizer que, como já lí todos os livros uma vez, este é com certeza meu predileto. Não perde tempo explicando algumas coisas como acontece no primeiro e fica direto destilando seu veneno social. Uma leitura mais que recomendada!

A edição lida, 2º volume da sextante porém agora já com a capa "normal", segue o mesmo diagrama da anterior, por isto não vou perder tempo explicando os detalhes.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Star Wars - O Livro

A alguns anos atrás, em uma cidade muito nem tão longínqua assim...

Eu adquiri um livro chamado "Herdeiros do Império" de um, até então, desconhecido Timothy Zahn. Na minha inocência eu achava que o tal Timothy era realmente o escritor do romance original de Guerra Nas Estrelas e o George Lucas era só um produtor que tinha se dado bem com um romance desconhecido. O tempo passou e eu aprendi a verdade. Que lucas havia escrito TODOS os filmes (incluindo os novos, mas parece que não roteirizou todos) e que o Timothy só havia escrito alguns livros do tal "universo expandido". A verdade só começou a chegar as minhas mãos quando o livro "Guerra nas Estrelas" me foi apresentado. Depois disto acabei perdendo o contato com o proprietário do livro e não pude mais vê-lo (o livro) até agora...

Capa da Mini-Série Império do Mal
Na semana passada consegui aquilo que, eu pelo menos, considero uma raridade. Uma edição de 1976 do tal livro. Está meio surrado o coitado, mas perfeitamente legível por isto devorei-o em um final de semana. Literatura rápida com poucas páginas (182 apenas) porém cheias de aventura como o filme. Não vou entrar em detalhes sobre como é a história apenas algumas pinceladas sobre os itens "a mais" que devem ser vistos:

1 - Alguns capítulos são dedicados a apresentar os amigos de Luke Skywalker. Biggs e uns outros desconhecidos aparecem com mais detalhes aqui.
2- Por algum motivo que eu desconheço Obi-Wan Kenobi é conhecido como Velhi-Ban Kenobi
3- C3P0 e R2D2 são Pezero e Erredois, respectivamente. Alguns anos depois a tradução de Império do Mal seguiria esta mesma idéia.
4- Darth Vader está em pé de igualdade com Moff Tarkin. Ao menos não é um capacho como no filme.
5- São 4 esquadrões de caça que atacam a Estrela da Morte e Luke é o Azul 5, não o Vermelho 5.
6- As cenas de incesto entre Luke e Leia estão mais escancaradas.

Imagem da capa do livro
Existem outros detalhes que talvez deveriam ser vistos mas em prol do prazer da leitura aos demais confrades irei me calar neste tocante.

Devo entretanto dizer que a leitura foi, devo dizer, excitante. Do primeiro ao último capítulo o livro me manteve cativo e voraz e tirando os nomes diferentes nada me distraiu ou conseguiu estragar o prazer da leitura. A edição foi meio, como direi, porca. Algumas linhas tortas, páginas mal cortadas e umas rebarbas na capa que, claramente não são originadas por maus tratos.

A entretanto algo que deve ser ressaltado e, talvez deveria ser levado as mãos do Sr. Lucas.

Como visto na página 90 do livro:
HAN ATIRA PRIMEIRO!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Não Entre em Pânico!

Tenho que confessar, desavergonhadamente, que tenho lido muito pouco.

Bem... Muito pouco seria errado. Ler eu leio muito o que não tenho lido são livros novos (tenho me repetido em livros "antigos" e revistas em quadrinho que acredito deverão ser colocadas neste blog)! Dito isto vamos a minha "última" leitura, "O Guia do Mochileiro das Galáxias".

Não é uma leitura trivial, eu diria. Não que seja complicado ou se utilize de metáforas complicadíssimas para entendimento. Muito pelo contrário o livro prima pela linguagem simples e descompromissada. Talvez seja pela sua origem, um programa de rádio que se transformou em livro (???) e posteriormente se tornou uma série  de televisão, filmes e outros "merchãs" dignos de George Lucas. A verdade é que não são todos que conseguem entender as referências (nada sutis, diria eu) as idiossincrasias dos relacionamentos humanos. E se você não consegue  entender isto realmente não vai achar graça em NADA no livro.

A história é simples:
Capa da edição
A terra foi destruída para a passagem de uma auto-estrada espacial ou algo do gênero(logo no primeiro capítulo então não me venham dizer que estou dando spoiler). Os golfinhos até tentaram nos avisar de havia algo errado mas suas tentativas foram interpretadas como uma cambalhota para trás e uma tentativa de assoviar o hino dos "US and A". Entretanto o único que conseguiu perceber que algo estava errado foi um alienígena que vivia na terra como ator desempregado (Ford Prefect) que por um acaso se afeiçoou bastante por um humano(Arthur Dent) que ele salva no último momento "pedindo carona" em uma nave Vogon (que os expulsa logo após uma sessão de poesias).

A partir daí graças ao gerador de improbabilidade infinita nossos "heróis" são salvos e postos em perigo em seqüências hilárias e reveladoras tudo em busca da pergunta cuja resposta é 42.

Entre revelações sobre o nível intelectual humano em comparação com outras duas espécies "nativas" e os últimos momentos de vida de uma baleia em Magrathea somos brindados com uma coleção de piadas rápidas e ácidas que lembram bastante Monty Python (só faltava no final de tudo vir um pé gigante e esmagar a nave coração de ouro).

A edição que eu tenho é da Editora Sextante e foi feita na época do lançamento do filme por isto usa o cartaz do mesmo como capa. Simples porém honesta. Comprei todos os outros volumes juntos então aguardem as resenhas seguintes (irei atualizar este post para colocar o link direto de um para o outro assim que for relendo os volumes).

[Incluído em 23/11/2010]
O Restaurante no Fim do Universo (ou O Guia do Mochileiro das Galáxias 2)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Orgulho, Preconceito e Zumbis

O livro é vendido com uma máxima “tudo fica melhor com zumbis”.

Amigo leitor, é verdade. As únicas partes boas do livro são as que os servos de satã (como são chamados no livro) estão presentes. Tudo mais é um tal de “fulaninho gosta de fulaninha” digno de Crepúsculo. Não li o livro original e, sinceramente, acredito que jamais vou lê-lo mesmo dado o tempo que demorei para ler esta versão “melhorada”.

A história... Bem, a história se arrasta como os já supracitados zumbis. Se alguém quiser saber como é a história original


fonte: Editora Intrínseca
Nesta versão parodiada o que temos são uma família de caçadores de zumbis (os Bennet) tentando viver entre sua natureza selvagem e indomada e as frivolidades da vida civilizada. De resto a história parece ser mais ou menos a mesma. Uma especial menção deve ser dada aos ninjas de Lady Catherine de Bourgh e ao fato de Lizzy ter comido o coração de um deles... AINDA PULSANDO!

Ah, é claro zumbis confundem couve-flor com cérebros e tem trato intestinal pois fezes de zumbi existem por lá. Um outro fator interessante é o rumor que este livro será filmado e a protagonista será Natalie Portman. Há uma curiosidade quanto ao resultado que teremos.


Quanto a edição nacional. Caprichada, ilustrações no interior do livro e uma lombada colada de boa qualidade. Vale os 29 reais que paguei por ela? Talvez. Mas isto é uma opinião pessoal. A tradução está competente


De cara vejo que realmente os zumbis ajudaram muito a dar mais conteúdo a publicação pois acredito que não conseguiria ler sem eles lá. No fundo, o que me deixa realmente triste é que eu comprei DUAS cópias deste livro. Uma para dar de presente. O que vão pensar de mim?

Providenciarei agora os sete talhos da vergonha para que o leitor possa pisar em meu sangue!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Elite da Tropa

Este foi um daqueles livros que eu comprei por impulso. Olhei ele na gôndola das Americanas a R$12,90 e sem pensar mais do que dois minutos botei ele na conta do papa.

O livro em sí se divide em duas partes o Diário de Guerra, composto de uma dezena de pequenas histórias que, pelo visto, se passaram com integrantes do BOPE e uma segunda parte com a descrição de uma semana cerca de dois anos depois dos acontecimentos da primeira parte.

De linguagem fácil e uma sinceridade por vezes perturbadora a primeira parte é de longe também a mais empolgante. Pequenas histórias descrevendo o cotidiano dos policiais "normais" e dos integrantes do BOPE. Para quem viu o filme "Tropa de Elite" muitas histórias podem parecer conhecidas como a da granada ou a da comida entretanto algumas mais fortes não foram para a película. Isto mesmo, mais fortes meu hipotético leitor. Dotado de um cinismo (aqui na acepção moderna da palavra) e de um humor beirando o mau gosto os escritores tratam de assuntos como corrupção, violência e tráfico de drogas como se fosse algo corriqueiro e cotidiano (ok, pare eles acredito que realmente o fosse!). Por várias vezes parei de ler e fiquei rindo das situações não por achar realmente engraçado mas por ficar muito incomodado. Recomendo a leitura do conto "Botas de Sangue" para que entendam o que eu quero dizer.

Na segunda parte temos um conto maior, uma semana na segurança pública do estado do Rio de Janeiro. Esta parte já é um pouco mais difícil na leitura. Cada página eu esperava que acontecesse um evento maior, cada folha parecia levar a um desenrolar apoteótico que, infelizmente não veio. Definitivamente não gostei deste pedaço do livro. Acredito que o principal problema seja o excesso de personagens coadjuvantes que as vezes aparecem apenas uma vez superpulando a situação e não gerando uma história coerente. Como ponto positivo fica, entretanto, fica a continuação da história de vários personagens que apareceram nos contos iniciais do "Diário de Guerra".


Em uma análise final fica um bom livro de leitura rápida e  uma boa recomendação para um livro a ser discutido em rodas de amigos. Para aqueles que esperam ver o filme Tropa de Elite um aviso, o filme é coisa de fanfarrão!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Duna

Lembro de quando eu era pequeno, cerca de oito ou nove anos, assisti um seriado estranho na televisão. Um gordo gargalhava enquanto falava de seus planos para erradicar os seus inimigos. Lembro de ver enormes máquinas andando na areia e uma minhoca gigante engolindo a tal máquina. Não vi muito além disto mas o pouco que vi marcou a ferro e fogo em minha mente aquela imagem do planeta desértico.

Alguns anos depois, já na faculdade acabei descobrindo mais sobre aquele seriado que na verdade era um filme muito grande cortado em capítulos para ser exibido para o público Duna de David Lynch foi uma obra prima do cinema de ficção. A minha surpresa maior foi descobrir que o tal filme era na verdade a adaptação de um livro homônimo que infelizmente não existia na biblioteca local.

Com o passar dos anos (e o advento da internet) acabei encontrando muito material sobre o filme e os livros que compunham a saga de Paul Muad´Dib e devo confessar que conhecia muito da história senão toda ela já a algum tempo. Isto e os diversos jogos da série, refilmagens e DVDs me mantiveram ocupado durante muitos anos  porém jamais havia encontrado o livro em questão. Até este ano.

Cansado de ficar esperando uma reedição do livro original importei uma cópia pela Amazon, respirei fundo e comecei a leitura. Esperava uma leitura difícil por diversos motivos, o primeiro a lingua. Por haver importado o livro teria de desfrutar do mesmo em inglês, não que houvesse problemas na compreensão da língua mas porque Duna é recheado de termos próprios: lasgun, fremen, weirding, shai-hulud, kwisatz haderach. E isto só para citar os mais comuns! Isto e um universo inteiro para ser conhecido faziam da leitura deste livro um desafio pessoal.

A leitura do livro foi muito mais simples do que o esperado. Em três semanas, talvez menos eu devorei as mais de quinhentas páginas do livro que merece sem sombra de dúvidas o título que é alardeado aos quatro cantos como uma obra de arte da ficção científica. Uma história concisa, com poucos ou nenhuma "corcova" de história o livro se desenrola em um ritmo acelerado até o fim. Os termos diferentes, que achei que iriam me atrapalhar, deram uma profundidade e uma veracidade sem igual ao texto. Após os primeiros capítulos já estava tão acostumado com os termos "técnicos" que já havia dispensado o glossário que havia ao final do livro. Entretanto, e isto tem que ficar bem claro, eu já era um conhecedor do universo de Duna antes de ler o livro. Acredito que para um leigo no assunto estes termos podem ainda causar algum incomodo.

Devo fazer uma ressalva, entretanto, ao estilo de Herbert. Ele é preguiçoso na descrição de escaramuças.
Não existem batalhas no livro!
E estamos falando de um livro que narra as lutas de um homem para retomar seu lugar como líder de uma das casas maiores. Em momento algum as batalhas são narradas ou descritas, elas sempre aparecem pouco antes de começar e minutos após o termino, com as pessoas lidando com o resultado do que aconteceu. Isto me frustrou um pouco, eu confesso.

Sobre o livro, bem... A encadernação dele me lembra os livros que eram vendidos no já falecido "círculo do livro". Capa dura, sobre capa protegendo a capa principal e uma lombada que só vai se quebrar se alguém ficar pulando em cima dele, muito diferente da maior parte dos livros vendidos no Brasil que são frágeis e, na maior parte, mal encadernados.

Já estou começando a contar os dias para encomendar a continuação desta história ou esperar que alguma editora tupiniquim de bem com a vida publique todos os seis livros da série novamente. Terão um comprador, isto eu garanto!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Como executar uma vingança bem feita.

Findei a leitura do nosso livro do tri... digo semestre. Como nosso hipotético leitor deve lembrar, nosso livro é "O Conde de Monte Cristo" do renomado autor Alexandre Dumas. Antes de chegar ao ponto de listar as minhas impressões sobre o livro acho que é prudente e até necessário que eu fale um pouco sobre as expectativas do livro.

Uma das primeiras lembranças de filme é assistir com meus pais o Conde de Monte Cristo na televisão e, pelo tempo e a idade que eu tinha na época, acredito que fosse a versão filmada com Richard Chamberlain. Pois bem, lembrava de uma aventura bem capa-e-espada com piruetas e um duelo final e alguma coisa sobre o herói terminar com a mocinha. Lembro-me também da plenitude da vingança do jovem Edmond Dantés em cima de seu algoz que via de regra morre no final. Típica trama holliwoodiana.
Chamberlein e o bigodinho

Tendo este histórico nada poderia me tirar do livro antes do seu fim. Dito e feito li o livro de bate pronto.
Bem...

O mais bate - pronto que um livro de mais de 1300 páginas pode ser lido quando se trabalha, estuda e namora ao mesmo tempo pode fazer sem desmerecer nenhum aspecto de sua vida. Devo alertar meu hipotético leitor de que vou assumir que você saiba a história do Conde de Monte Cristo. Seja por ler a obra, resumo ou mesmo por ver um dos inúmeros filmes pois não vou fazer um resumo da trama. Dado o aviso, vamos adiante.

O livro apresenta a história de um pacato e um tanto quanto obtuso marinheiro, Edmond Dantès, que voltava após meses para encontrar-se com sua amada Mercedes (a garota, não o carro). Desnecessário dizer que ele atraiu a atenção de alguns tipos dos mais vis. O invejoso, o inescrupuloso, o ciumento e o apático. Todos por um motivo ou outro fizeram com que Dantès fosse para a prisão e lá passasse a sua juventude toda (13 anos, amiguinhos!). Graças ao acaso e a um abade maluco com mania de toupeira Dantès descobriu o que aconteceu consigo e começou a tramar uma vingança. Quando digo graças eu falo que, casualmente, o prisioneiro da cela ao lado tinha acesso a um tesouro riquíssimo e sem dono além de ser o possuidor de uma das mentes mais brilhantes que já andaram sobre a terra.

De posse do tesouro e dos ensinamentos do dito abade (além é claro de uma carta saída livre da prisão) Dantès pode tramar a vingança e a retribuição que todos os que lhe traíram mereciam. Personificando várias pessoas diferentes, entre elas o personagem que dá título ao livro, ele começa a minar cada um dos pobres coitados que o atacaram. Diferente dos filmes onde Dantès se vingava apenas de um (normalmente de Fernand) no livro ele se vingou de todos os culpados, e de suas famílias e de seus criados (em alguns casos) e acredito que até os conhecidos tenham sentido o gosto da vingança no fim da história uma vez que a rotina de todos foi alterada.

É claro que nem tudo são rosas para o nobre Conde. Em diversos momentos ele se viu tendo que alterar seus planos pois, por mais que houvesse uma vontade resoluta de vingança ele ainda se importava com os seus mais próximos. As seqüencias finais quando as maquinações que ele havia começado começam a frutificar me deram aquele prazer que se tem quando um plano complexo dá certo. Confesso que vibrava ou mesmo ria alto ao ver o resultado de uma maquinação que havia sido começada muitas centenas de páginas antes (a vingança contra Morcef e Danglars foi particularmente cruel).

Posso dizer que foi uma leitura prazerosa em quase 100% dela. Tirando a interminável seqüencia veneziana o livro mantém um ritmo gostoso e a curiosidade sobre o próximo capítulo alta. Fica a ressalva que, um pouco de conhecimento prévio sobre a França e o período pós-napoleônico podem ajudar na compreensão de algumas sub-tramas mas nada que afete a leitura. É com certeza um livro que eu lí, e recomendo.
Fica entretanto a dúvida. De onde os produtores de filmes tiraram a história para o que filmaram? Tirando a prisão e a Mercedes a maior parte das histórias é muito diferente do que eu encontrei no livro!

Fica também a dica para quem quiser adquirir o livro a Jorge Zahar Editor fez um grande trabalho na edição enchendo de notas principalmente sobre as sub tramas políticas do livro e uma nova tradução (que não posso julgar pois não entendo lhufas de francês). É uma aquisição que fiz e não me arrependo!

sábado, 20 de junho de 2009

Ensaio sobre a cegueira

Confesso, sem orgulho, que fiquei um bom tempo com preconceitos quanto ao livro Ensaio sobre a Cegueira do escritor português José Saramago. O fato de ele ter sido laureado com o Nobel de literatura em 1998 me deixou ainda mais temeroso uma vez que iria encontrar certamente um estilo culto e de difícil compreensão.

Vencido o preconceito e a inércia inicial comecei a leitura do livro. De cara me vi em uma leitura frenética e claustrofóbica que diferente de minha última leitura me manteve atento e curioso a cada página. Devo dizer que o estilo único de Saramago com parágrafos quilométricos e sem separação clara entre diálogo e texto confundem a leitura. Mas a partir do segundo ou terceiro capítulo já estava acostumado e isto me deixava ainda mais envolvido com a história fazendo do estilo particular do autor um algo a mais a narrativa.

Além do estilo ainda tínhamos a barreira da linguagem “Barreira da linguagem?“ dirão alguns. Pois sim, barreira da linguagem. Saramago é, como já disse, um "tuga" e por isto usa as expressões, maneirismos e figuras típicos de sua gente. Uma vez que o livro não foi "traduzido" estes maneirismos vieram a rodo e muitas vezes me tiravam da concentração e por conseqüência acabavam por me tirar da história. Não por não entender o sentido de uma frase mas mais por não lembrar o significado de expressões que o Brasil caíram em desuso. Chávena foi um exemplo disto, lembrava de já ter lido, lembrava que era um utensílio do café, mas não lembrava com clareza QUAL utensílio era. Supus corretamente que era a xícara, porém não sem dar umas risadas pela palavra e por isto quebrar o momento tenso em que foi empregado.

Dito isto, vamos a história. Tal qual Kafka a história não se detém explicando minúcias. Um homem simplesmente fica cego dentro de seu carro. Sem mais nem menos. Assim como não se dão explicações não se dão nomes. As pessoas, incluindo os protagonistas da história, são sempre referenciadas por uma característica única ao momento que primeiro apareceram na história. O interessante é que tal é o ritmo da história que o leitor (eu no caso) só se dá conta disto muito adiante na história. Tocando em pontos bem doloridos de nossa sociedade o autor vai mostrando no decorrer das páginas diversas facetas humanas que, ao menos para mim, me deixaram muito desconfortável sobre tudo.

Realmente um livro que vale a pena ser lido e que abre portas para outras leituras do autor. Se o filme do Meireles conseguiu captar os dilemas do livro deve ser realmente um filme estupendo. A pergunta que ficou comigo ao final do livro e que eu deixo a vocês. “O que é a cegueira. Um estado de espírito ou de corpo?”

segunda-feira, 16 de março de 2009

A Clarissa do tio Erico

Buenas. Antes de explanar a minha opinião acredito que devo contextualizar o leitor dos fatos.

Como dito aqui o autor Erico Veríssimo foi, provavelmente, o autor do primeiro livro que comprei em minha vida e, portanto,  um ídolo na minha infância. Estranhamente nunca havia lido nada mais dele durante todo este tempo e confesso, sem muito orgulho, que normalmente os escritores conterrâneos não são os meus prediletos.

Dito isto, vamos aos fatos.

O livro é chato!

Não apenas chato, ele é maçante! Ele me torturou durante todas as cento e sessenta páginas com uma história enfadonha de uma criança interiorana que passa seus dias dando comida a galinhas, olhando uma criança doente no quintal vizinho e correndo (na maioria das vezes sozinha) pelas árvores do pátio da pensão em que mora.

Durante a leitura tive ganas de lançar o livro à parede por várias vezes pela expectativa criada de que algo fosse acontecer!

  • Clarissa ia à escola.
  • Clarissa voltava da escola.
  • Clarissa ia jantar.
  • Clarissa tomava café da manhã. (volte ao primeiro item)

Porém Clarissa não tinha vontade própria. Perdoem-me os amantes da arte de Erico, não vi alma na pobre garota! Não vi alma nos outros moradores da tal pensão que na maior parte das vezes me lembravam personagens dos meus próprios contos (que nunca serão publicados) todos eles possuidores da profundidade de um pires de uma xícara de café.

Realmente, se os professores resolverem obrigar a leitura deste livro em questão teremos mais um grupo de alunos que provavelmente nunca mais irá ler um livro na vida!

Fica, entretanto, um aspecto positivo. O mesmo autor de Clarissa nos brindou alguns anos depois com “O Tempo e o Vento” e “Olhai os Lírios do Campo”. O que me deixou muito curioso para fazer a leitura destas obras afinal, um livro tão enfadonho e depois sucessos de crítica deste tamanho só podem indicar um amadurecimento muito grande!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Proposta

Quem me conhece sabe que sou o tipo de pessoa que gosta de ler. Leio de tudo, desde bula de remédio até livro de cálculo avançado (este último sem muito afinco devo admitir).

Acontece que nos últimos tempos eu percebi que tenho tido um comportamento padrão, diria até uma preguiça em sair do lugar comum nas minhas leituras. Leio sempre ficção, manuais técnicos e gibis e só. Aí que um dia, durante uma janta dos "pé grande" (sim, no singular mesmo) veio a idéia:

E se nos obrigássemos a ler um livro diferente e postássemos opiniões sobre eles em um lugar comum?

O debate foi rápido e em pouco tempo tínhamos a idéia que hoje começou a caminhar, a confraria da leitura. Um grupo de amigos que iria ler livros decididos em consenso e iria publicar resenhas (ou como Diogo nos sugeriu, ensaios) sobre os livros lidos (ok, eu ainda tenho que descobrir a diferença entre ambos).

Nosso primeiro livro é “Clarissa” do grande mestre Erico Veríssimo. Devo confessar que os trabalhos “adultos” do Érico estariam em baixa na minha lista de “por ler”. Não me entendam mal, eu respeito o seu trabalho e tenho até vergonha de confessar que nunca li nada “sério” da obra dele mas posso dizer, aí com um certo orgulho que foi Érico que me colocou no caminho que hoje estou. Quando estava na pré escola (ou seria primeira série, não lembro) houve um evento na minha escola em que diversos livros do Érico foram vendidos para os alunos, lembro-me que comprei o livro As Aventuras do Avião Vermelho. Li este livro tantas vezes que havia até um ritual para isto, me sentava entre os sofás, colocava as almofadas como encosto e viajava por todos os cantos do planeta (e fora dele) com o Fernando e seu aviãozinho vermelho.

Quando, esta tarde, eu percebi que o autor do meu primeiro livro era o mesmo autor da obra selecionada para começar a confraria devo dizer que fiquei animado em começar a lê-lo. Se alguém queria um sinal de que começamos bem, aí está ele. Municionado com estes pensamentos, me despeço. Tenho um livro para ler!